Em defesa de nossas vidas, em defesa do povo negro

Pensar sobre nossas vidas e reagir coletivamente ao racismo. Estes são os caminhos que nos propusemos a percorrer juntas no processo de diálogo e de construção da Marcha das Mulheres 2015 – contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver. Resgatam o compromisso que firmamos, há mais de 20 anos, quando da realização do I Encontro Nacional de Mulheres Negras, em Valença (RJ) e da organização do movimento de mulheres negras. Aquela foi a rota decisiva que traçamos para a nossa afirmação como sujeitos políticos.

Ser mulher negra nessa sociedade racista e sexista tem gerado experiências diferenciadas para nós. E, por isso mesmo, temos muito a dizer e a decidir sobre o país que fazemos, a riqueza que geramos e a inclusão que queremos como cidadãs. Não aceitamos ser alvo de protelações e subordinações que insistem em condenar o nosso presente e o nosso futuro.

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Em três momentos, a escritora Carolina de Jesus. Em março de 2014, completou-se o centenário do seu nascimento. Mulher negra e favelada, ela ousou denunciar o racismo na periferia por meio da literatura

Em três momentos, a escritora Carolina de Jesus. Em março de 2014, completou-se o centenário do seu nascimento. Mulher negra e favelada, ela ousou denunciar o racismo na periferia por meio da literatura

Vivenciamos a brutalidade da violência racial, o que exige de nós, mulheres negras, resiliência e superação de nossas emoções mais íntimas para seguir com nossas vidas e das pessoas que são próximas a nós. Foi assim na escravização, quando nossas ancestrais foram alvo de violações de toda ordem. É assim nos nossos dias, em que vivemos a desumanização sistemática da nossa cidadania, representatividade e participação nas decisões políticas. E é por isso que a Marcha das Mulheres Negras reúne e reunirá mais e mais pessoas contra todas as formas de opressão racial.

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Inspirações: Mãe Senhora, Laudelina de Campos Melo, Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento e Thereza Santos

Inspirações: Mãe Senhora, Laudelina de Campos Melo, Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento e Thereza Santos

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Marchamos contra o racismo que ceifa vidas negras e que banaliza a nossa existência. Marchamos contra a violência que imola nossa afrodescendência pela ação genocida do Estado.

Marchamos pelo bem-viver, porque nossas vidas são preciosas.
Marchamos porque temos o pleno direito de existir em nossa negritude.
Marchamos para desmascarar o racismo de todos os dias, que estabelecem relações de privilégios e exclusões entre brasileiras e brasileiros.

Marchamos porque nossos valores civilizatórios de matriz africana e afro-brasileira se sobrepõem a toda e qualquer tentativa de desconstituição de nossa identidade e de nossa história.
Marchamos porque a nossa luta é pela liberdade.
Marchamos, porque este país é nosso!

Convidamos você a seguir conosco e fazer da Marcha das Mulheres Negras 2015 um espaço plural e intenso de debates e ações.

Comitê Nacional Impulsor:
Agentes de Pastoral Negros – APNs
Articulação Nacional de Mulheres Negras – AMNB
Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Quilombolas – CONAQ
Coordenação Nacional de Entidades Negras – CONEN
Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas – FENATRAD
Fórum Nacional de Mulheres Negras
Movimento Negro Unificado – MNU
União de Negras e Negros pela Igualdade – UNEGRO

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